Ladrão não, cidadão

Publicado em: Terça-feira, 08 de Junho de 2021, 12:00h - Por: Blog do Wenner

Eu não consigo esquecer de você 
Tem sido muito difícil pra mim 
Diga por que me deixou tão sozinho 

Menininha 
Meu amor 
Menininha 
Meu amor. 

(Amado Batista)

 

Quem nunca ouviu esse clássico da música brega certamente não é desse país. Amado Batista, que prefere chamar a sua música de popular à brega, há mais de 40 anos percorre o Brasil, levando a sua sonoridade para todas as idades.  

Nos últimos dias, esse grande artista foi um dos assuntos mais comentados na grande mídia e no Twitter. A razão para tudo isso não foi o lançamento de uma música ou a divulgação de uma turnê em tempos pandêmicos, mas sim pelo seu posicionamento político. 

Em entrevista concedida ao programa de rádio Frente a Frente, o músico chamou o ex-presidente Luiz Inácio de ladrão. E como vivemos em um país nitidamente polarizado, foi o bastante para uma enxurrada de post na internet. 

A repercussão foi tamanha que rendeu ao cantor um tweet de repúdio da Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores, a Deputada Federal Gleisi Hoffmann. 

 

 

 

 

 

 

 

A INVERSÃO DE PAPÉIS

 

Caro leitor, eu sou uma pessoa que não se impressiona com facilidade. No entanto, a desfaçatez de alguns políticos brasileiros não é crível, chega a ser cômica. Aos brasileiros pode faltar o pão, mas o circo é garantido. 

Aliás, o cinismo é intrínseco a muitos criminosos. Vejamos. 

No último mês de fevereiro, Ana Paula Thomaz, condenada por ter assassinado, juntamente com Guilherme de Pádua, a atriz Daniela Perez, moveu uma queixa-crime contra Glória Perez. Isso mesmo, Glória Perez viveu para ver a assassina de sua filha processá-la.  

Thomaz, que mudou seu nome para Paula Peixoto depois de se casar com um advogado figurão, agora vive uma vida de luxo. 

Sobre a queixa-crime, Paula Thomaz acusa a escritora Glória Perez de ameaça e difamação. Perez foi intimada a depor. 

A defesa da assassina explicou que a intenção do processo é proteger a filha de 5 anos de Thomaz, que vem sofrendo com ameaças depois de ter sido noticiado que a mãe da menina estaria investindo na carreira de atriz da criança. 

Em resposta a esse fato, Glória Perez decidiu desabafar nas redes sociais, o que lhe rendeu a sobredita denúncia. 

 

 

 

 

 

 

 

Após a denúncia, Glória Perez não se deixou intimidar e desabafou:

“Coisa de psicopata. Logo, é preocupante que essa mulher esteja tentando se introduzir, através da filha, em meu ambiente de trabalho. Quem corre risco sou eu.” 

“A melhor descrição de Paula Peixoto (ex-Thomaz) é do juiz que a condenou: ‘A conduta da ré exteriorizou uma personalidade violenta, perversa e covarde quando contribuiu consciente e voluntariamente para destruir a vida de uma pessoa indefesa, sem nenhuma chance de escapar do ataque de seus algozes, pois, além da desvantagem na força física, o fato se desenrolou em local onde jamais se ouviria o grito desesperador e agonizante da vítima. 
Demonstrou a ré assim, ser uma pessoa inadaptada ao convívio social e com inegável potencial de periculosidade”.

 

A SEMELHANÇA ENTRE O LADRÃO E A ASSASSINA 

Além da ousadia e do mau caratismo, quem roubou e quem assassinou quer impor a toda a sociedade a lei do silêncio, utilizando-se para isso a própria justiça, que falhou em ambos. É o resultado de permitir que criminosos graves retornem para o meio social, convivendo como um sujeito normal. 

Voltando ao ladrão - é melhor parar de usar esse adjetivo – voltando ao ex-presidente Lula, o jornal Gazeta do Povo noticiou a ficha corrida do petista: 

Investigação e indiciamento:

Polícia Federal ou Polícia Civil

Fase em que se abre um inquérito policial para investigar um crime e busca-se demonstrar a culpabilidade do investigado. Comprovados indícios de autoria e materialidade, ele é indiciado em inquérito policial.

 

Doações da Odebrecht ao Instituto Lula

Lula foi indiciado pela Polícia Federal (PF) no final de dezembro de 2019 em uma investigação sobre doações da Odebrecht ao Instituto Lula. Ele foi indiciado junto com Paulo Okamoto, Palocci e Marcelo Odebrecht por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, entre dezembro de 2013 e março de 2014, foram registradas doações de R$ 4 milhões da Odebrecht ao Instituto Lula, com origem em créditos da conta de propinas da empreiteira.

 

Denúncia ou acusação formal:

Ministério Público

Com a conclusão do inquérito, o MP analisa se há provas contra o indiciado que justifiquem a abertura de uma ação penal. Se houver, remetem o caso à Justiça apresentando uma denúncia, ou seja, um pedido de abertura de ação penal contra o acusado.

  

Denúncias apresentadas contra o ex-presidente:

Mesadas a Frei Chico (denúncia rejeitada)

O MPF acusa o irmão de Lula, Frei Chico, de receber R$ 1,1 milhão por meio do pagamento de "mesadas" de R$ 3 mil a R$ 5 mil, como parte de vantagens indevidas oferecidas a Lula em troca de benefícios obtidos pela Odebrecht. A denúncia foi rejeitada pela Justiça.

Obstrução de Justiça (1ª Instância)

A PGR acusa Lula e Dilma Rousseff de obstrução de Justiça. A acusação é relativa à tentativa de nomear Lula ministro-chefe da Casa Civil de Dilma, em março de 2016 – na ocasião, Lula já era alvo da Operação Lava Jato. O ex-ministro da Educação Aloizio Mercadantes também é acusado.

Em setembro de 2017, Fachin mandou a denúncia para a Justiça Federal de Brasília, em primeira instância. O relator da Lava Jato no STF alegou que nenhum dos denunciados possui prerrogativa de foro atualmente.

 

Processo penal:

Judiciário

Após as fases de investigação e denúncia, o juiz responsável pelo caso analisa se as evidências justificam a abertura de processo. Se sim, o denunciado se torna réu e passa a responder pelos crimes que lhe foram imputados pelo MP.

    

Em quais processos Lula se tornou réu:

Corrupção no governo federal (1ª instância)

Lula responde a um processo na Justiça Federal de Brasília por corrupção. O empresário Marcelo Odebrecht e os ex-ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo também são réus na ação, que acusa os quatro de pagamento de propina da Odebrecht em troca de favorecimento do governo federal.

Lula responde a um processo na Justiça Federal de Brasília por corrupção. O empresário Marcelo Odebrecht e os ex-ministros Antonio Palocci e Paulo Bernardo também são réus na ação, que acusa os quatro de pagamento de propina da Odebrecht em troca de favorecimento do governo federal.

Lavagem de dinheiro (1ª instância)

O Ministério Público Federal de São Paulo acusa o ex-presidente Lula de lavagem de dinheiro por ter recebido R$ 1 milhão, via Instituto Lula, do grupo ARG. O dinheiro seria uma recompensa por Lula ter usado de sua influência para interferir em decisões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que favoreceram negócios da empresa naquele país.

Lula também seria acusado de tráfico de influência, mas como tem mais de 70 anos, o crime prescreveu. Os fatos aconteceram entre setembro de 2011 e junho de 2012, segundo a denúncia.

Tráfico de influência (1ª instância)

Lula virou réu acusado por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. O MPF aponta que Lula atuou para liberar verba do BNDES em obra da Odebrecht em Angola. Além de Lula, seu sobrinho Taiguara Rodrigues, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, e mais oito investigados também são acusados.

Tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa (1ª instância)

O Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) denunciou o ex-presidente, seu filho, Luiz Cláudio Lula da Silva e mais duas pessoas por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A acusação foi feita após investigações conduzidas no âmbito da Operação Zelotes. Lula e os acusados teriam atuado de forma criminosa nas negociações que levaram a compra, pelo governo brasileiro, de caças Gripen da sueca Saab, além de atuar na renovação de uma Medida Provisória que levou a prorrogação de benefícios fiscais concedidos a montadoras de automóveis.

  Terreno para o instituto (1ª instância)

Segundo a denúncia do MPF, entre 2010 e 2014, Marcelo Odebrecht prometeu uma propina no valor de R$ 12,4 milhões para o ex-presidente Lula, paga na forma da aquisição de um terreno para a construção de uma nova sede para o Instituto Lula. O MPF também denunciou Lula, Glaucos da Costamarques e Roberto Teixeira pela lavagem de dinheiro no valor de R$ 504 mil, realizado através da aquisição em favor de Lula de um apartamento em São Bernardo (SP). O imóvel foi mantido no nome de Glaucos, mas foi adquirido com recursos da Odebrecht por intermédio da DAG.

  O processo está pronto para sentença.

Operação Zelotes (1ª instância)

Lula foi denunciado por corrupção passiva, pelo MPF do Distrito Federal, sob acusação de aceitar promessa para receber recursos ilegais em 2009, quando ainda ocupava a Presidência. Segundo a Procuradoria, Lula e seu então chefe de gabinete, o ex-ministro Gilberto Carvalho, aceitaram promessa de vantagem indevida de R$ 6 milhões para favorecer as montadoras MMC e Caoa na edição da medida provisória 471, de novembro de 2009.

Outros 4 processos já tiveram sentença

CONDENAÇÕES 

Sítio em Atibaia (2ª instância)

A juíza Gabriela Hardt condenou no dia 6 de fevereiro de 2019 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em regime fechado no processo referente ao sítio em Atibaia. No dia 27 de novembro de 2019, a condenação foi confirmada em segunda instância e a pena passou para 17 anos, 1 mês e 10 dias.

  Tríplex (3ª instância)

Lula já foi condenado pelo então juiz Sergio Moro no processo referente ao tríplex no Guarujá. A pena estipulada foi de 9 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) aumentou a pena para 12 anos e um mês de prisão em janeiro de 2018. O processo terminou de tramitar em segunda instância em março de 2018.

  Já em 2019, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias. No processo, Lula é acusado de receber propina da OAS por contratos da empreiteira com a Petrobras através da compra e reforma de um apartamento no Condomínio Solaris. Lula já cumpriu 580 dias da pena e aguarda em liberdade o trâmite dos recursos.

 

ABSOLVIDO

Obstrução de Justiça (1ª instância)

Lula respondeu por obstrução de Justiça e foi acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e tentar impedi-lo de firmar um acordo de colaboração premiada. O MPF pediu a absolvição do ex-presidente no processo e o cancelamento dos benefícios da delação de Delcídio Amaral. Em 12 de julho, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, absolveu Lula das acusações. 

  Quadrillhão do PT (JF-DF)

Lula virou réu ao lado de outros integrantes do PT por organização criminosa. A PGR acusa Lula de ser o chefe do “quadrilhão do PT”. A denúncia fala que petistas receberam propina de R$ 1,48 bilhão desviados da Petrobras, BNDES e Ministério do Planejamento.

 Em março de 2018, o relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin, desmembrou o processo e enviou a denúncia referente a pessoas sem prerrogativa de foro – caso de Lula e Dilma Rousseff, por exemplo – para primeira instância, em Brasília.

  A Justiça Federal absolveu todos os acusados em dezembro de 2019.

Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-ficha-corrida/ 

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UM ALERTA 

Quem normaliza ou relativiza os crimes cometidos por Lula necessita fazer um profundo exame de consciência. Não é razoável ver no ex-presidente uma pessoa comum, de reputação ilibada. Ele cometeu muitos crimes, assaltou o país, aparelhou as estruturas estatais, priorizou realizar mega obras em ditadura socialistas a socorrer, por exemplo, 50% da população que não tinha saneamento básico. Investir em infraestrutura em outros países em detrimento do Brasil já é um grave crime contra o nosso povo. 

Lula voltou ao debate público como alternativa ao governo Bolsonaro. Alerto a todos que veem no petista a antítese do atual Presidente, que há outra saída.  

A nossa história já foi por demais maculada. Deixemos de lado nossas paixões partidárias e pensemos no nosso país. Não nos esqueçamos dos mais de 6 milhões de brasileiros que em um só dia saíram às ruas para pedir o fim do governo do PT, por não aguentar mais tantos escândalos, tanta corrupção.  

A situação é ainda pior quando você escuta Lula em 2021. É nítida a sua indignação com a Polícia Federal, com o Ministério Público e com o Poder Judiciário. O que podemos esperar deste ladrão inconfesso caso ganhe a faixa presidencial? Não creio que essas instituições terão autonomia para avançar no combate à corrupção. Não acredito, analisando o discurso do presidenciável, que o seu próximo governo será diferente dos anteriores.  

Recentemente, o candidato do PT ao Planalto da Alvorada convidou o filho de Renan Calheiros para compor a chapa na condição de vice. Renan, ou Atleta, como é conhecido nas famosas planilhas de propina da Odebrecht, é o relator da Comissão Parlamentar de Inquéritos, logo ele que responde a nove (inquéritos), além de outros tantos devidamente arquivados pelos amigos Supremos. 

Além de Calheiros, outro senador lulista é Omar Aziz, Presidente da mesma CPI. Essa comissão é responsável por investigar a conduta dos nossos governantes na condução da pandemia do COVID-19, o famoso vírus chinês. 

Omar, Presidente da Comissão mais importante da história da saúde, responde a processo por desviar mais de R$ 200 milhões da saúde no Estado do Amazonas. Por esse desvio milionário, a esposa do Senador foi presa, além de três irmãos seus. Na semana passada, Lula se encontrou com o Parlamentar. 

O candidato do PT conta com a ajuda dos Senadores lulistas para derrubar o atual Presidente e aparecer como a melhor alternativa para o Brasil. 

Deixo com o leitor uma pergunta que deverá ser respondida em pensamento: você está preparado para ver Lula Presidente da República, tendo como Vice Renan Filho, além de Mercadante como Ministro da Economia, Calheiros e Aziz em outros cargos do primeiro escalão? 

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