Policial

Faxineira da família de Henry diverge do depoimento da mãe do menino

Publicado em: Quarta-feira, 24 de Março de 2021, 21:30h - Por: Redação
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A faxineira Rosangela, que esteve no apartamento da família do menino Henry Borel, de 4 anos, que morreu na madrugada do dia 8 de março, contou à polícia uma versão diferente do depoimento prestado pela mãe do garoto, como mostrou o RJ2 nesta quarta-feira (24).

Ela disse no depoimento que teria sido avisada sobre a morte de Henry no dia que foi trabalhar.

A avó materna do menino também foi ouvida pelos investigadores nesta quarta.

Já a mãe do menino, Monique Medeiros, namorada do vereador Dr. Jairinho (Solidariedade), disse em depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca), que não contou à empregada o que tinha acontecido e, na hora do almoço, falou para ela tirar o dia de folga.

A versão apresentada por Dr. Jairinho sobre a funcionária também é diferente. Ele disse que, ao chegar em casa por volta de 10h, se deparou com Monique, a empregada e uma assessora conversando.

Perguntado se Monique havia comentado algo com a empregada, o padrasto de Henry respondeu que ela disse que contou o que havia acontecido.

Henry morreu após ser encontrado pela mãe caído em um dos quartos do apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

A polícia quer saber se Henry morreu por acidente ou se ele foi vítima de violência. O laudo do IML apontou lesões graves no corpo da criança.

 

Na tarde do dia seguinte à morte do menino, foi feita uma perícia no apartamento do casal, mas quando os peritos chegaram, o local já tinha sido limpo.

"Se ela falou para a empregada ou se ela não falou, ela falou que não falou, e o Jairinho disse que falou, em nada disso isso muda a dinâmica dos fatos", afirmou o advogado do casal.

Outros depoimentos

Entre as pessoas que já foram ouvidas pela polícia está uma ex-namorada do vereador Dr. Jairinho, que acusou o político de ter agredido a filha dela anos atrás.

Segundo a mulher, que não teve a identidade revelada, a filha – hoje adolescente – foi agredida por Dr. Jairinho quando era menor.

Além dela, uma outra mulher que disse ter tido uma relação com Jairinho também prestou depoimento na 16ª DP. Ela disse que teve brigas com o vereador, mas disse que jamais sofreu agressões.

A polícia também já ouviu uma enfermeira e duas médicas do Hospital Barra D'Or. Elas atenderam Henry na madrugada do dia 8 de março. O perito do IML que fez o laudo de necropsia também já prestou depoimento.

Avó de Henry Borel chega para prestar depoimento — Foto: Henrique Coelho/G1

Avó de Henry Borel chega para prestar depoimento — Foto: Henrique Coelho/G1

Mensagens entre os pais de Henry

O RJ2 mostrou nova troca de mensagens entre Monique e Leniel, pais do menino. Em janeiro, eles conversaram sobre a contratação de um psicólogo para a criança.

- Leniel: Se quiser podemos ver um psicólogo juntos com ele.
- Leniel: Tudo o que faço é por ele. Minha vida é para ele.
- Monique: Vamos tentar fazer essa transição da melhor maneira. Sem afetar ele.

Segundo o pai, uma psicóloga foi contratada logo depois dessa troca de mensagens.

Na véspera da morte do Henry, Monique se mostrava abalada pela recusa do filho em voltar para o apartamento onde ela passou a morar, no início do ano, com o vereador Dr. Jairinho.

"Quando puder trazer me avisa. Vai ser uma choradeira sem fim mesmo. Hoje será uma noite difícil. sempre que ele chega é assim", disse Monique para o pai de Henry.

Menino reclamou do padrasto

Em entrevista ao RJ2 na última semana, Leniel falou sobre a recusa do filho em voltar para a casa onde moravam a mãe e o padrasto.

"Na minha interpretação era uma reação dele desse processo de separação e do padrasto. Ele falou 'n' vezes pra mim que o tio lá não gostava, falou que machucava e eu não acreditei em nada disso, entendeu. O menino não tinha marcas. A Monique falou pra mim, 'eu não largo esse menino. Ou ele tá com a babá ou ele tá comigo'", disse o pai de Henry.

O filho de Leniel chegou a contar para o pai que não gostava do abraço do padrasto.

"Eu pedi pra falar com ele. 'Cara, o Henry tá falando que não quer abraço forte'. Ele falou. 'Ah, mas ele pede abraço'. Eu falei, forte ou fraco, eu não quero que você abrace o meu filho, ok? Ele falou, ok, tudo bem. Não teve hostilidade. Ele acatou", disse Leniel.

Em seu depoimento, Jairinho confirmou que teve essa conversa com o pai de Henry e que não interpretou como ofensa, tendo a conversa se passado sem qualquer animosidade, segundo ele.

Mensagens após a morte

RJ2 mostrou na última segunda-feira (22) mensagens trocadas entre os pais de Henry no dia 9, um dia depois da morte do menino. Monique Medeiros desabafa ao ex-marido:

"Já sabemos o motivo do Henry ter ido embora? Não consigo acreditar, parece um pesadelo sem fim. Estou sem chão. Vontade de morrer."

Ela pergunta ao engenheiro Leniel Borel quando será o enterro do filho. Ela fala também sobre a dor que está sentindo e questiona a demora na liberação do corpo.

"Que horas poderemos enterrar nosso filho", diz Monique.

Leniel responde: "Estou aguardando o IML".

Ela insiste afirmando que já se passaram 24 horas da morte e faz novo desabafo:

"Se eu pequei alguma vez, foi por excesso, nunca por falta. Minha consciência está tranquila e ele está nos braços do Pai."

Boletim do hospital

O boletim do hospital, onde Henry chegou às 3h50, informa que Monique e Jairinho disseram ter ouvido barulho emitido pela criança e se levantaram para ver o que aconteceu no quarto.

A médica Viviane dos Santos Rosa relatou que Monique e Jairinho disseram que encontraram a criança mole "após ouvirem um barulho no seu quarto sem resposta ao chamado da mãe".

No entanto, no depoimento à polícia o casal não mencionou qualquer barulho feito pelo menino.

O menino Henry Borel, de 4 anos, — Foto: Reprodução

O menino Henry Borel, de 4 anos, — Foto: Reprodução

A polícia também recolheu imagens de câmeras de segurança mostrando que Henry chegou bem ao condomínio onde moram a mãe e o padrasto.

Na última quarta-feira (18), o casal prestou depoimento à polícia durante 12 horas. Monique confirmou que no domingo à noite Henry não queria voltar para casa e contou que a criança vomitou ao chegar no local.

Ela disse que não achou estranho porque isso era algo normal quando o filho chorava muito. Monique disse ainda que tentou tranquilizá-lo e o levou até uma padaria, que fica a poucos metros do condomínio.

Desde o dia da morte do Henry, Doutor Jairinho e Monique só voltaram ao imóvel para pegar roupas e objetos pessoais.


Fonte: G1

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