Política

Pesquisa que aponta vitória de Lula em 1° turno foi paga por banco que já foi citado em delação premiada

Publicado em: Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2022, 15:15h - Por: Redação
Compartilhar
Reprodução
Banco Genial, novo nome do Brasil Plural, pagou mais de 260 mil reais por pesquisas que apontam vitória do petista

Longe de ser novidade que pesquisas recentes indiquem um cenário pró-Lula, o que é de se questionar, porém, é sobre quem seriam os responsáveis por financiar tais consultas. Com o início do ano eleitoral, passou a ser obrigatório que as pesquisas sejam registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicando, entre as informações, quem paga pelos estudos.

E foi com base nessas informações que o Pleno.News, por meio do cruzamentos de dados divulgados nos sites do TSE, da Receita Federal e do Portal da Transparência, descobriu que o pagador da primeira pesquisa do ano é uma instituição bancária que já foi citada em uma delação premiada do operador financeiro Lúcio Funaro, realizada em 2017.

DELAÇÃO PREMIADA CITA BANCO BRASIL PLURAL
Em agosto de 2017, quando ainda estava detido no Presídio da Papuda, em Brasília, o doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador financeiro do MDB na Câmara na época, prestou um depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), em delação premiada no âmbito da Operação Greenfield, que apontava diversas fraudes na administração de fundos de pensão.

Na ocasião, entre as informações, Funaro citou o que chamou de “casos estranhos” envolvendo o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade privada e sem fins lucrativos que funciona como proteção aos investidores que colocam seu dinheiro em instituições financeiras associadas a ele, e disse que nos tais casos estaria envolvida uma instituição financeira chamada “Brasil Plural”.

Delação de Funaro à PGR citando o Brasil Plural Foto: Reprodução/PGR

 

RELAÇÃO ENTRE O BRASIL PLURAL E A PESQUISA ENVOLVENDO LULA

A conexão entre o banco Brasil Plural e a pesquisa eleitoral que aponta a ampla liderança do petista pode ser comprovada a partir da ligação dos dados divulgados pelo TSE com as informações relativas à instituição financeira presentes tanto no site da Receita Federal quanto no Portal da Transparência da União.

No registro da pesquisa, realizada pela Quaest Pesquisa, Consultoria e Projetos, consta como instituição responsável pelo pagamento da consulta uma instituição financeira cujo nome é Banco Genial S.A. O valor, que está presente na nota fiscal disponível no site do TSE, é de R$ 268.742,48 por pesquisas eleitorais a serem feitas entre 01 de junho de 2021 e 31 de outubro de 2022.

Contratante é o Banco Genial Foto: Reprodução

 

Nota fiscal cita o Banco Genial Foto: Reprodução

 

Em uma primeira vista, parece não existir qualquer relação entre o banco citado por Funaro na delação, o Brasil Plural, e o pagador da pesquisa, o Banco Genial. Entretanto, o que ocorre é que as duas instituições são a mesma empresa, com o mesmo CNPJ, tendo apenas nomes diferentes. Tal informação pode ser confirmada por meio do Portal da Transparência da União e pelo registro da empresa na Receita Federal, onde o e-mail declarado remete ao Banco Plural, outro nome da empresa.

Banco Genial e Banco Brasil Plural são a mesma instituição

Inscrição do Banco Genial na Receita Federal usa endereço de e-mail do Banco Plural Foto: Reprodução/Receita Federal

 

POLÊMICA DO BANCO BRASIL PLURAL ENVOLVENDO GOVERNADOR PETISTA
Em 2019, o então deputado estadual Gustavo Neiva (PSB), do Piauí, afirmou que o Brasil Plural não possuía sequer de um terço dos R$ 2,7 bilhões que o governo do Estado, administrado pelo petista Wellington Dias, pretendia contratar de empréstimo junto à instituição. Na ocasião, segundo o parlamentar, todo o patrimônio do banco era de apenas R$ 767,1 milhões.

Segundo Neiva, no ano de 2017, de acordo com os dados do balanço apresentado ao Banco Central na época, o Banco Brasil Plural teve um prejuízo de R$ 20 milhões, que, em 2018, subiu para R$ 20,1 milhões.

– Como pode um banco que tem prejuízo, ano após ano, querer emprestar dinheiro ao Piauí? – indagou o deputado.

Na época, Neiva também lembrou que o banco havia sido citado por Funaro em delação e questionou por qual motivo a gestão petista não havia escolhido bancos conhecidos e conceituados como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal;

– Precisamos saber onde estamos nos metendo. Se o Piauí tem conceito B no Tesouro Nacional, se tem condições de pedir empréstimos, porque não foram buscados bancos sérios e conhecidos, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Bradesco, o Santander, o Itaú ou mesmo bancos internacionais? Teve que ir atrás de um banquinho que ninguém conhece – declarou.

Por fim, o parlamentar citou uma denúncia do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo dando conta que as operações do Banco Plural causaram prejuízos ao Fundo de Previdência da Caixa Econômica Federal (Funcep), ao qual, segundo Neiva na ocasião, o governador Wellington Dias estava vinculado como economiário aposentado.

– Essa Casa e a sociedade tem o direito de saber como o governo achou esse Brasil Plural, que tem envolvimento com a Lava Jato – completou.


Fonte: Pleno News

Aviso de cookies
Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Saiba mais na nossa Política de privacidade